deitei-te ao pé da árvore que mais gostavas, com a lágrima de mãos dadas à saudade assim que te vi morta. inerte.
estando morta ganhaste vida. e não tenho direito a ser egoísta. é um direito que não possuo. serei sempre serei fiel a ti independentemente das tuas condições suicidas. da minha saudade.
esse sim é um direito meu. mas o primeiro é amar-te.
amar-te como se no segundo a seguir tudo se desmoronasse. como se tudo desaparecesse.
ainda penso qual dos dois seria o doente.
chego à conclusão que o doente era eu. doente por ti. doente por mim.
criei uma estrada só para ti. para a percorreres. para a viveres.
e eu limitava-me a ver-te percorre-la. sorridente pelo presente.
senti o meu peito cheio de ar pois ofereci-te uma felicidade instantânea. ainda que para mim não chegasse. para ti era um mundo. para mim era como adoçante no café. é doce. mas não substitui o açúcar.
gosto de pensar que, onde quer que estejas, te lembras da raça humana e de que ela nos faz bater com a cabeça nas paredes. afinal…para que mais elas servem??
eu odeio-te. eu amo-te.
odeio-te mas amo-te. odeio-te por te amar. amo-te por teres tentado respirar o mesmo ar que eu. por teres…tentado. odeio-te e não te culpo.
estendida na floresta.…a estrada continua tua.
30 de Março de 2011